Os Desafios do Empoderamento da Mulher do Século XXI

Atualizado: 31 de mar.

Começo esse artigo externando o orgulho e privilégio que sinto em ser mulher e poder viver neste momento do nosso desbravar. Afinal, a jornada da evolução da mulher não foi nada rápida e muito menos fácil. Os últimos anos e, especialmente neste século, o empoderamento feminino começou a ser visto, observado, discutido e apresentando resultados após uma longa jornada de luta.


Por muitos anos, culturalmente, a mulher era colocada em segundo plano, com poucas oportunidades e com campo restrito para crescer, aprender e se destacar. Mesmo com tantos desafios, principalmente com a administração do tempo, a mulher tem conquistado e consolidado o seu espaço. É notório o avanço da mulher, sobretudo quando falamos em mercado de trabalho, educação e acesso as oportunidades, mas ainda é inegável que os desafios estão presentes como resquício de uma mentalidade ultrapassada que exerce influência na discriminação da mulher nos dias atuais.


Até a década de 1940, quando a industrialização começou a ocorrer no Brasil, a grande maioria das mulheres eram as “do lar”: cuidavam da casa, marido e filhos, sem acesso ao mundo de externo, sem direito de escolha. A indústria começou a demandar trabalho e as mulheres iniciaram a sua jornada, mesmo com desigualdade a exemplo da diferença de salários – que ainda permanece na atualidade.

Mas as mulheres não desistiram e, somente a partir dos anos 70 que elas começaram, de fato, a ocupar outros espaços fora das casas, passando a exercer funções consideradas um pouco mais relevantes pela sociedade: costureiras, professoras ou funcionárias do comércio. É preciso entender que tudo é uma construção. Não existem atalhos, ainda mais falando de mudança de cultura.


Dando um salto no tempo, hoje observamos que uma presença mais massiva dessas mulheres no mercado de trabalho. Isso não significa que elas abandonaram a função do lar. Pelo contrário, elas se dividem, se multiplicam para dar conta de tudo (casa, família, educação, trabalho dentre outras atividades).


Muitas mulheres no Brasil perfazem o orçamento das famílias. Elas trabalham em diferentes áreas do mercado e possuem os próprios planos de carreira. Além disso, elas estão sempre em busca de mais qualificação, com melhores e mais benefícios. Mas, mais do que isso, elas estão sendo vocais com o direito de exercer as suas escolhas, com autenticidade de acordo com as suas competências e forças primárias.


Afinal, ninguém para uma mulher determinada e com propósito! Os desafios ainda são grandes, mas não intransponíveis.


Um desses desafios trata-se da participação feminina no mercado de trabalho e da desigualdade salaria. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, IPEA, (2019) explicita que a presença feminina no mercado de trabalho brasileiro, entre 17 e 70 anos, passou de 56,1% em 1992 para 61% em 2015. O IPEA ainda projeto que até o ano de 2030, essa porcentagem represente 64%. Porém, ao analisar os dados podemos ver que a participação das mulheres no mercado de trabalho ainda precisa melhorar.


Além disso, as mulheres enfrentam a desigualdade salarial com os homens mesmo que estejam ocupando o mesmo cargo e função. De acordo com dados globais do Global Gender Gap Report, uma pesquisa sobre a desigualdade de gêneros, o Brasil ocupa a 130° em igualdade salarial.

É comum escutarmos que as mulheres são guerreiras. Contudo, não entendo esse “romantizar do status da mulher”. Neste sentido, eu levo ao pé da letra, mulheres guerreiras que buscam resiliência para conciliarem as suas tarefas sem comprometer a qualidade de entrega.


Mas a maior desigualdade ainda está relacionada ao lugar ocupado por homens e mulheres na hierarquia das empresas. De acordo com dados disponibilizados pelo portal Estado de Minas, em 2019, apenas 3% das mulheres ocupavam cargos de liderança no Brasil. Ou sejam um número pouco representativo. A Revista Forbes, em julho de 2021, também apresenta dados problemáticos e tristes, ao revelar que a contratação de mulheres em cargos de liderança estão sendo reduzidas. Para mudar essa realidade, uma das propostas é a adoção de políticas para flexibilizar o trabalho e permitir que as mulheres não tenham que escolher entre carreira ou família.


O empoderamento da Mulher do Século XXI está sendo descortinando, apresentando um novo palco a ser experenciado. Empoderamento, na minha visão, não tem a ver necessariamente com dinheiro, cargo, status, condição social, o real empoderamento é a mulher viver o seu potencial pleno, ter o direito de decidir e viver para ela e não viver pelo outro, submissa ao outro e em alguns casos machucada ou paralisada pelo outro.

Empoderamento é a consciência da capacidade da mulher em desenvolver-se e escolher ser ela mesma!


Ao longo da minha caminhada prestando consultoria, nas palestras, workshops, treinamentos e conversando com muitas mulheres, fico impressionada com o nosso potencial, com nossas habilidades como mulher. Mas, infelizmente, tenho me deparado com muitas mulheres não enxergam o seu potencial: elas se anulam, vivem um choro calado, aceitando condições de pressão psicológica, desprezo, falta de amor e atenção. São mulheres que querem crescer e não conseguem, mulheres que disfarçam o sofrimento com um sorriso no rosto, mas por dentro há um terremoto de sentimentos e dores e, muitas vezes, também sofrendo agressões físicas.

O despertar para empoderar-se é exatamente esta conscientização do direito e liberdade que a mulher tem, tomar posse e viver!


Culturalmente, a sociedade carrega uma memória da dominação masculina sobre a mulher. Em que elas teriam apenas que aceitar, mas hoje entendemos que existem outras decisões e ações. A decisão é a primeira chave que a Mulher Empoderada pega todos os dias. Ela decide ser ela. Ela decide crescer e contribuir. Tem muitas mulheres que se doam para o outro, fazem tudo para o outro, mas para ela, nada sobra, nada fica. Existe uma sobrecarga na mulher e, com isso tem um distanciamento dela com ela mesma.


Empoderamento da mulher começa pela decisão! Empoderar é um ato de darmos poder para nós mesmas, ou seja, recrutarmos nossas forças, habilidades, vontades para externar. Esta conscientização, este movimento lindo das mulheres, tem feito uma grande diferença em vários aspectos socio-culturais.

É daí já entro na segunda chave da Mulher Empoderada, que são suas Ações. Decidir é um passo importante e determinante, porém o grande desafio é a materialização destas decisões que resultem em resultados. Os resultados que selam e sobrepõem argumentos infundados da fragilidade e incapacidade da mulher. As ações da força feminina vem tomando corpo e potência a cada ano.


Hoje, nos deparamos com um movimento presente e relevante de homens apoiando as mulheres, homens que não enxergam concorrência e sim a cooperação, homens que dividem ainda mais as tarefas de casa, homens mudando também a forma de enxergar suas atribuições e vivendo no quadrante do crescer e contribuir juntos com as mulheres.

Esse movimento é fundamental, pois conforme o portal O Globo, em junho de 2020, um dos grandes desafios, ainda atuais, é o aumento da carga de trabalho doméstico entre homens e mulheres. Logo, isso impacta profundamente na rotina de trabalho, sobretudo da mulher. Em média, a mulher tem cerca de 9 horas a mais de trabalho doméstico do que homens, como aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Pnad.


Do mesmo modo, empresas com mindset de crescimento e inovador entenderam que as mulheres dominam uma série de competências que podem ser muito úteis para tornar as empresas mais produtivas e qualificar seus resultados. As ações das mulheres, sua relevância, têm sido gradativas e progressivas.


Assim, temos a Tríade da Mulher Empoderada: Ela é ela! Ela é Capaz! Ela Merece!

A mulher empoderada tem muito forte a sua liberdade de escolher ser ela mesma e busca a sua identidade todos os dias. Uma mulher que pode sim decidir e agir em crescer para contribuir ainda mais com este mundo, que precisa de mulheres empoderadas, mulheres de high performance, que não abaixam a sua cabeça para as dificuldades, mas encaram com um olhar do “como”: “Como eu posso ajudar nesta situação?”, “Como eu posso sair dessa situação?”


O segundo passo desta tríade da Mulher Empoderada é entender a sua capacidade de realizar. Quantos rótulos ganhos que as Mulheres do Século XXI tem arquivado de forma tão linda e ressignificado a sua jornada? O empoderamento feminino tem revelado este resgate da capacidade, e jogando por terra a ideia da limitação. E por último, nesta tríade da Mulher empoderada, está o resultado: o “ter”, o merecer usufruir de tudo aquilo que construiu. A mulher do século XXI, a Mulher Empoderada, busca o autoconhecimento, se prepara, olha mais para si, ela tem a escolha de usar suas forças.

Finalizo este artigo com a frase de Oprah Winfrey: “Crie a melhor, a mais grandiosa visão possível para a sua vida, porque você se torna aquilo que você acredita”.


Feliz Dia Internacional da Mulher! 🌹

Por Shirley Fernandes



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